A Música da Poesia (por Julio Cesar)

Essa Crônica postada no Blog do Julio Cesar é fenomenal…

Hoje acordei querendo recitar algumas letras de músicas que são verdadeiros poemas!!! Pois para mim sempre houve música na poesia. Vou compartilhar com vocês alguns poemas em forma de música do passado e do presente!!! Só não tenho certeza se os do presente podem ser chamados de “presente”!!!

Poesia e música para mim sempre foram duas artes muito parecidas!!! Veja se você concorda comigo. As duas possuem tempo, variações, combinações, temas, ou se preferir ritmo, harmonia e melodia…

A definição de música dada pela Maria Lúcia de Mattos Priolli  no livro Princípios Básicos da Música Vol. 1, é a seguinte:

A arte de combinar os sons de acordo com suas variações de altura proporcionadas pela sua duração e ordenadas pelas leis da estética. Penso que se trocarmos os sons pela palavra teremos a definição de poesia. Aí teremos então o que para mim é a definição de poesia:

A arte de combinar as palavras de acordo com suas variações de altura proporcionadas pela sua duração e ordenadas pelas leis da estética.

No Brasil temos grandes nomes dentro da poesia ligada ou não a música!!! Por exemplo: Carlos Drummond de Andrade, não sei se compôs músicas, tenho quase certeza que não, mas seus poemas sempre são música para que os lê. E temos dele por exemplo o poema “José” que foi literalmente musicado pelo talentoso Paulo Diniz e virou a música E Agora José…

Outro exemplo é Mário Quintana com seu poema “Canção Do Dia De Sempre”, virou Enquanto o Sol Brilhar nas mãos de outro poeta, mas aí já ligado a música realmente, e temos grandes nomes nessa área também!!!

Que tal os últimos e emocionantes versos de Vinícius de Moraes na canção “Eu Sei Que Vou Te Amar…”

Eu sei que vou chorar
A cada ausência sua eu vou chorar
Mas cada volta sua há de apagar
O que essa ausência sua me causou

Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

Ou Djavan em Seduzir que consegue dimensionar de forma perfeita a sede do descobrir e ainda brinca com as comas, que na linguagem da música são intervalos menores que os de semitom:

Cantar, é mover o dom
do fundo de uma paixão
Seduzir, as pedras, catedrais, coração
Amar, é perder o tom
nas comas da ilusão
Revelar, todo o sentido
Vou andar, vou voar, pra ver o mundo
Nem que eu bebesse o mar
Encheria o que eu tenho de fundo

Ou Kim, que explicou o que não se pode explicar aos normais a todos nós normais:

Sobre o amor e o desamor, sobre a paixão
Sobre ficar, sobre desejar, como saber te amar?
Sobre querer, sobre entender, sem esquecer
Sobre a verdade e a ilusão
Quem afinal é você?
Quem de nós vai mostrar realmente o que quer?
Um coração nesse furacão, ilhado onde estiver.
O meu querer é complicado demais,
Quero o que não se pode explicar aos normais.
Sobre o porquê de tantos porquês,
E responder
Entre a razão e a emoção eu escolhi você!

E o que dizer da perfeição na retratação da vida de um trabalhador comum escrito por Chico Buarque em “Construção…” (Em pleno regime ditatorial brasileiro)

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Me considero uma pessoa sortuda!!! Pois cresci ouvindo esses mestres aí de cima, pessoas que eram e são realmente compromissadas com o que faziam (e fazem) e que queriam fazer bem feito, e tratavam (e tratam) a música e a palavra como arte e tinham (e tem) talento para fazer isso!!!

Já ha algum tempo, quando me deparo com algumas músicas em determinados momentos do Brasil fico muito confuso!!! Será que eu sou o único maluco que sente que essas “algumas” músicas que fazem sucesso hoje, são como se estivessem me ofendendo, me chamando no mínimo de burro, ou coisa parecida!!!

A desculpa para essas “algumas” músicas é sempre a mesma. Há, mas o ritmo é bom para dançar!!! Vá procurar uma academia de dança!!!

Estamos falando de duas artes que andam juntas, poesia e música!!!

Vou propor um teste. Quero que vocês leiam as poesias acima que são músicas sem cantar, entrem literalmente nos versos, e me digam como se sentem… E depois quero que façam o mesmo com as que eu vou escrever aqui abaixo, mas não se esqueçam de escrever e descrever como vocês se sentem ao lerem as antigas e novas poesias desse nosso Brasil!!! Talvez você já tenha até dançado ou cantarolado por aí, pois há poder também na poesia da música com seus ritmos contagiantes, nos enganam muitas vezes e não prestamos a atenção se nelas há também música na poesia…

Vem, vem tchutchuca
Vem aqui com o seu “Tigrão”
Vou te jogar na cama
E te dar muita pressão

Andou na prancha, cuidado, tubarão vai te pegar
Andou na prancha, cuidado, tubarão vai te pegar
Andou na prancha, cuidado, tubarão vai te pegar
Andou na prancha, cuidado, tubarão vai te pegar
Onda, onda. Olha a onda
Onda, onda. Olha a onda
Onda, onda. Olha a onda
Onda, onda. Olha a onda

Na sua boca eu viro fruta
Chupa que é de uva
Chupa, chupa
Chupa que é de uva

 Mão na cabeça que vai começar
O Rebolation, tion. O Rebolation.
O Rebolation, tion, Rebolation.
O Rebolation, tion. O Rebolation
O Rebolation, tion, Rebolation.

Olha pra frente, pra frente
Cintura, cabeça, Tchubirabirom

 Vai! Vai! Vai! vai!
Não pára, não pára
Não pára não
Não pára, não pára
Não pára não
Não pára, não pára
Não pára, não pára até o chão
Chão, chão, chão, chão
Chão, chão, chão, chão
Chão, chão, chão, chão
Chão, chão, chão, chão
Assim! Não Pára…
Vai Lacraia, vai lacraia
Vai Lacraia, vai lacraia
Vai Lacraia, vai lacraia
Vai Lacraia, vai lacraia
Vai Lacraia, vai lacraia
Vai Lacraia, vai lacraia
Vai Lacraia, vai lacraia…

Vou Não, Quero Não, Posso Não, Minha Mulher, Não Deixa Não,
Não vou Não, Quero Não.

Fonte: Blog no Julio Cesar da Banda Catedral

Anúncios

0 Responses to “A Música da Poesia (por Julio Cesar)”



  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




FAS Agenda

agosto 2011
D S T Q Q S S
« jul   set »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Categorias


%d blogueiros gostam disto: